Delírios anais...
És uma sedutora nata, mas hoje estás diferente, tens a sedução da provocação indecente e sabes espicaçar o poeta safado, que recria escritos do demónio. Provocas-me com insinuações do traseiro, sabes que ele é divinal, um hino à excitação e desejas vergar-me os joelhos na sua veneração.
Esta suíte, num ambiente decorativo em veludo de tons vermelhos/dourados, com um perfume imoral no ar, recria uma sensação de luxo íntimo, quase secreto. Nada é minimalista, tudo convida ao toque e à excentricidade do desejo.
Viemos para sermos intensamente eróticos, num jogo de libertinagem sem tabus, em que o trunfo não é o ás de copas, mas o clímax’s.Tiramos as máscaras para abjugar as hormonas do deboche e com os corpos em chamas apenas pelos olhares em transe.
O teu traseiro é o pecado que faz o cérebro fumegar como uma chaminé.
Fazes do sofá o pedestal da beleza física, a fogueira que faz arder a minha língua paciente, enquanto explora sem urgência cada curva e com as mãos invisíveis no deslizar corporal até estourar o elástico das cuecas.
Entramos em beijos suicidas, nos calores sufocantes e com a língua esfarrapada a descrever indecências pela derme.
Suplicas irreverência, não me faço de rogado, lambo incessantemente o cintilar do esfíncter e rompes os silêncios dos justos, com gemidos numa demonstração que o corpo está vivo.
Tresloucados pela ebulição corporal, ávida por sentires na boca o pulsar esbaforido do pénis, fazes mamadas de engasgar até o deixares todo salivado e ficarmos com os poros arrepiados. Os arrepiamentos são confissões de blasfémias, mas agora estamos na penitência da redenção e não temos mais perdão.
Debruçada no sofá, abres as nádegas, pedes para estroncar com energia e sem misericórdia a virgindade anal.
Fascinado, com o coração a bombear todo o fluxo sanguíneo direcionado para o membro em riste, encosto a glande ao piscar do esfíncter. Apertado, mas aos poucos cede como uma brecha num dique e com estocadas cada vez mais contundentes, como se fossem chicotadas entregues à alma do diabo, leva-nos a ganidos ruidosos de puro êxtase. Tresloucada, cheia de tesão, suplicas numa gritaria aos quatro ventos que te explore fundo, que te deixe o ânus todo arrombado e sem dó nem piedade, faço-te uivar de tanta jubilação. Com penetrações impiedosas, o rabo todo aberto, com ímpetos cada vez mais intensos, dou um urro e numa explosão inundo o canal anal com milhões de espermatozoides.
Na certeza que as paredes do quarto estão cheias de recordações, já passaram por este motel muitos amantéticos, mas a forma como o quadro na parede, com caras abstratas observam em silêncio, demonstram que nunca viram tão forte cumplicidade, como as nossas cenas impregnadas de heresia.
Com os corpos a pingarem suores, as epidermes em labaredas, voam pétalas de flores com asas com os odores dos sexos pelo quarto. Com o bumbum todo detonado, levo-te a um orgasmo desmensurado e descontrolada clamas por mais delírios anais.
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