Ecos da alma...

Ecos da alma...

Acordei com ideias em catadupa, com o corpo a pingar suores e arrepios na medula. Não sei se tive pesadelos, mas lembro-me vagamente de ter sonhado com um maestro na sua partitura a soletrar poesias musicais para uma plateia de mulheres.
Sinto no ar uma chama invisível, uma vontade de pegar num caderno com as folhas por preencher e traficar palavras cruzadas num tabuleiro de jogo de xadrez.
Olho pela janela do horizonte, sinto o teu perfume no ar, talvez sejam visões turvas por amor, mas, como não consigo ficar calado, vou ler tertúlias próprias de apaixonados.
A superfície do mar é um espelho iluminado pelo sol, vejo as gaivotas felizes a trocarem olhares com as nuvens e, como acredito na felicidade, agarro com todas as forças a arte da escrita.
Não tenho feridas de morte, nem bactérias adormecidas, mas preciso de enganar o tempo e puxar a alavanca do sossego.
Vivo uma solidão feliz, mas sinto a falta de amar, talvez os suores sejam as consequências do batom marcado no corpo pelos teus beijos. A verdade é que os lábios estão dormentes pela falta dos teus e as mãos tateiam, tremem numa dança carente à tua procura.
Não consigo ficar calado, sei que o passado foi lá atrás, mas a vida tem de ter sentido e sempre adorei regar fogueiras com gasolina.
Neste carrossel de memórias, de fita métrica na mão a medir prazeres, fico a curtir lembranças tuas e a amar com o rigor da régua e esquadro.
Jamais gostei de suplicar por amor, prefiro dá-lo para manter as células vivas, nem que seja dos outros, sabendo que a vida por vezes mata os sonhos.
Nunca suspendi as emoções!
Gostava de contornar o mundo a pé, distribuir porta a porta uma rosa vermelha a cada donzela, dizer-lhes para serem felizes e quem sabe se finalmente te encontrava.
Sou esta fusão entre o coração e a alma!
No amor, na paixão e em cada sentimento procuro as minhas respostas nos ecos da alma.
 

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