Osculação de delírios...

Osculação de delírios...

Acordei altivo, impregnado pelas labaredas do desejo, talvez tenha sonhado histórias húmidas, porque o corpo brota energia de impulsos sexuais.
Já olhei ao espelho, pareço um poeta despenteado, com vontade de perder o juízo e mergulhar no lavadouro das línguas salivadas.
Não desejo sair da cama, estou farto das cartas viciadas do romantismo, preciso de detonar bombas e emporcalhar os lençóis.
Nem perco tempo, ligo-te para vires rapidamente e trazeres contigo as algemas de papel e pimenta na língua para leres em voz alta propostas indecentes.
Preparo o estojo das pinturas, para maquilhar o rosto com as cores macabras dos fétiches, sabendo que também virás fantasiada. Sabes, que não estou para conversas de falinhas mansas, conheces-me, tens noção que estou empolgado e preciso de esvaziar o balão das loucuras.
Chegas, com o rosto pintado, sinal de que vens com o pito aos saltos e não vens para chorar por amor, mas para suplicar por sexo.
Com o coração fervilhante, atiro-me para o soalho de cabeça e faço mil e um números de acrobacias de circo, numa coreografia para excitação da fêmea.
Deitamos as prosas melancólicas ao lixo e entramos no labirinto do inferno, prontos para tourear na cama e escrever sarcasmos eróticos.
Na estrada de fogo do colchão, a derretermos como se fossemos dois bonecos de cera e com o diabo crucificado na cabeceira da cama assistir, fazemos-lhe acenos com a mão até ele soltar lágrimas perdidas.
Num turbilhão de movimentos encaixados, os sexos gladiam-se como heróis nas lutas de lama e sem perdão, alternadamente, escavo com o sexo, os três orifícios de prazer, deixando cada um deles inundados de esperma.
Como duas medusas coladas, os beijos são melosos, as línguas não vacilam e tatuamos as peles mutuamente com o sémen expelido descontroladamente.
É um jogo pegajoso, sinto a gosma dos teus orgasmos colados no céu da boca e partilhamos através das bocas famintas, os odores intensos.
Amamos sair da caixa, sermos por momentos uns monstros sexuais, de transformar a monotonia em heresias, de jogar com intensidade extrema a escravidão do sexo e ainda agora iniciamos com a osculação de delírios.

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