Vazio de pensamentos...

Vazio de pensamentos...

Tempestades com nomes estrangeiros assolam-nos diariamente com chuva, ventos e frio. Caramba, assim é difícil soltarmos sorrisos a cores, pois facilmente se esbatem no céu escuro e acinzentado. Parece que vivemos debaixo de um martelo demolidor, empurrados para a solidão por um inverno rigoroso, que teima em não abrir as gavetas dos armários para se soltarem os pensamentos da esperança.
Que vontade de tirar o sebo a este tempo, que fustiga, castiga e deixa em “standby” a felicidade.
As árvores despiram-se, o sol escondeu-se há várias semanas, o vento magoa a alma sem piedade, até despenteia os carecas. Está difícil agarrar os sorrisos, parece que tenho uma corrente marítima dentro da cabeça.
Não sou o Rei Herodes, sou apenas um comum mortal, mas quero ressuscitar desta morte lenta, ela só está ao alcance de Deus e já gastei algumas vidas, sem saber quantas ainda restam. Os gatos têm sete vidas, mas de água fria têm medo e ainda estamos em fevereiro, sabendo que em abril águas mil.
Já não vivo como no passado, desencantado com a vida, com a alma escurecida pelas balas no peito disparadas pela artilharia pesada e isso dá-me algum folgo para o futuro. Atualmente vivo na sobriedade, até consigo sobreviver dentro da água, sem as dores excruciantes da ansiedade.
Deixei de viver acorrentado à história, não tenho gritos amordaçados, muito menos a consciência pesada. Sem máscaras da fraqueza, sempre que caí, levantei-me mais forte e como os sonhos são portas que temos de ultrapassar, nem bati, entrei para ser feliz.
Trabalhar não é vergonha, ninguém deseja viver na miséria e mesmo assim há quem caia nela.
Nunca se assustem com as verdades que digo, até porque se fosse pecado já estava crucificado. É verdade, que tenho dias que me apetecia lançar “bosta” na ventoinha e ver alguns apanhar, outros a fugir, mas não tenho nenhuma pista como se faz só para os cães raivosos. Prefiro espalhar sementes da concórdia, dar abraços a todos, desejar a felicidade alheia.
Não tenho asas, nem penas, mas consigo voar através da imaginação, nem que exista um vazio nos pensamentos.

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