Pegadas de outono...
21 de October, 2025
Gosto de correr o mundo, de criar histórias de amor e sentir os egos felizes, mas os meses passados não foram positivos, embora ainda carregue no íntimo algumas cicatrizes de batalhas na cama.
O verão passou num ápice, pelo menos para mim, nem o senti, fruto dos momentos menos bons da saúde emocional, o que me privou das paixões próprias do calor da época de estio. Tive pena não poder construir castelos de areia, onde, na inocência da minha fantasia, apenas habitam princesas e donzelas e poder partilhar com elas atos de ternura.
Já passei uma esponja nessa estação do ano, agora estamos no outono e talvez ele traga novas aventuras amorosas.
Dizem que a verdade nem sempre chega a horas, mas já sinto o cheirinho da humidade no ar e as folhas aos poucos a ficarem num amarelo-dourado.
Na minha idade, não sou homem para timidez, nem medos de quebrar tabus, apenas receios dos novos tempos futuros, onde as incertezas são “puzzles” gigantes. Não será por isso que deixarei de sonhar, sempre tive sonhos de ousadia, são eles que tornam os meus dias mágicos. Por isso, na vida, nunca me fiquei pela metade, se for preciso enfrento a tempestade de peito aberto e abro o coração aos trovões.
Mesmo sendo este poeta sonhador, nem tudo é cor-de-rosa, tem momentos que também tenho dores de amores ausentes e geralmente curo-os no silêncio.
Aqui estou, na quietude absoluta da natureza, onde apenas os sensíveis conseguem captar as suas palavras, os sons que tocam o espírito e nos fazem rejuvenescer a alma.
Até as folhas que caiem, provocam carícias penetrantes que rasgam a intimidade dos pensamentos e germinam arrepios nas memórias.
Parece que estou a entrar no paraíso, onde há entrada existe uma escada de madeira envelhecida e que no imaginário me levará para um mundo desconhecido. Quem sabe se ela faz parte do destino e se encarrega de transformar olhares em poesia.
Para matar o tédio do passado, entro numa simbiose de conversas ao desafio com a mãe natureza, com as lágrimas da tristeza a ficarem para trás e a dizerem adeus. Também já não quero mais essas dores, nem as vozes perdidas dentro da cabeça, que zoavam como se fossem zangões, prefiro sentir a desgarrada das borboletas na barriga a cantarem versos poéticos.
As folhas continuam a cair, são poemas que voam a seu belo prazer, que pousam no chão escorregadio, talvez sejam dialetos de desejos proibidos e quiçá sejam elas que me guiem ao glamour através das pegadas de outono.
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