Amálgama de contradições…
06 de November, 2026
Por dentro, sou feito de uma mescla de fogo e gelo, onde a alma expele vendavais de seda e o corpo, desejos sem idade.
Gosto de recriar cenários, florestas encantadas com duendes azuis, um mundo onde as pessoas não têm cor, apenas sentimentos de fraternidade.
Na solidão acompanhada, vou gritar a beleza das palavras cruzadas numa liberdade criativa, com abstracionismo desvirtuado.
Quem sabe se alguém conseguirá decifrar?
“Entrei no mundo da fantasia, onde as estrelas são subterrâneas, os oceanos suspensos, o céu aprisionado pelas luas sem noite e os abismos floridos com pétalas de chumbo. Ainda o outono é tropical, os vulcões estão adormecidos, as tempestades de algodão e as sombras luminosas com as chamas congeladas. Tudo labirintos transparentes, com raízes voadoras, emoções sem abrigo e amores desalinhados, mas sem desertos de lágrimas. Por muito estúpidas que sejam as frases, os corações estão pousados na balança da razão, o amor continua a ser o passaporte para poder sonhar e a nudez continua vestida de mistérios. Existem náufragos de prazer nas cicatrizes de beijos, fragilidades poderosas, com coragens trémulas e a insurreição dos sentidos. Nesta ilusão da inocência pecaminosa, a roçar a delicadeza obscena acorrentada à luxúria angelical, os sonhos são desobedientes quando vêm tempestades de mulheres. Não quero atingir a eternidade passageira, nem estar constantemente a desviar-me das facas de cetim que podem aleijar, muito menos nas esperanças vagabundas. Sei que o relógio já está sem tempo, que faz correr os corações descalços e os beijos sem destino na mesma direção, na ânsia de chegarem às tentações inocentes. Aqui deste lado, não se consegue substituir um coração partido, como se substitui um pneu do carro, até porque as emoções são rebeldes e provocam mais corações incendiados por amor.”
Talvez tenha acordado com suspiros armadilhados, com a intimidade enigmática, com uma ingenuidade suspeita imprópria do Criador de desej❤️s.
Nesta demência delicada, com pecados de porcelana, prazeres clandestinos, escrevi ardências silenciosas e erotismo de papel numa amálgama de contradições.
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