Jogos de poder...
03 de November, 2026
Não consigo prever o futuro, mas tenho o dom de sentir muitas sombras macabras que cada vez mais envolvem o mundo.
Sinceramente, nem tinha vontade de escrever, preferia ficar com coisas mais simples, como dar asas à ponta do lápis e desenhar corações envolvidos no amor.
Não quero ser o obreiro da desgraça, mas a idade dá-me a maturidade suficiente para saber que não devemos deitar os livros de história à fogueira, pois eles são o caminho para sabermos o futuro.
Os astros estão alinhados, já não é para termos sustos do nada, mas medo de tudo.
As cabeças de serpente estão cada vez mais a conspirar no silêncio, a preparar violências organizadas e a escavar ruínas à pazada.
Qualquer pessoa sensível sente, pouco a pouco as jiboias enroscadas no pescoço da humanidade, tudo fruto da cegueira das ariscas dislexias, obcecadas pelo poder do amanhã.
Dantes eram grupos nazis, racistas, xenófobos, com ideias de totós, que agora percebemos que esses, à beira do que se avizinha são apenas gasolina a arder.
Diz a lenda que o Rei Midas, tudo transformava em ouro tudo o que tocava, mas hoje temos um mundo novo, dominado por selvagens, sequiosos de redesenharem fronteiras. Desfraldam bandeiras nos territórios dos outros, infringem tragédias de dor, com drones fora da lei, num bailado de morte dessincronizado com mísseis balísticos.
Longe de mim querer ser o desbocado infeliz, amo ser este menino apaixonado pela vida, com a harmonia da paz, por isso acredito sempre até ao fim. Mas, não sou invisual, nem insensível, as alminhas (crianças) e muitas pessoas estão escondidas nas catacumbas como ratos assustados. Enquanto os combates mortais de loucos, amarrados aos caprichos de morte, sem perceberem que a vida são três dias e que a guerra é um fogo que rapidamente se espalha num palheiro.
Casas a desmoronar, corpos zombies desnutridos, cabeças ocas deprimidas, petroleiros a afundar, mísseis disparados numa teimosia esmerada de ditadores sem vontade de cederem. Os ouvidos de burro continuam para os senhores das leis só alimentam guerras e ódios.
Para curar as feridas de morte ainda iremos a tempo?
Sei que nada é para sempre, mas os chutos fortes no íntimo, as dores dilacerantes nas almas serão pagas com um preço exorbitante e nada será como dantes.
Já não tenho paciência para escutar as tagarelices dos tagarelas, passam a vida a dar ordens de extinção humana e quem sabe se restarão apenas os cães assobiar ao vento, confusos pelos jogos de poder.
Respeita os direitos de autor
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