Amar perdidamente...

Amar perdidamente...

Acordei com os pés virados para o ar, com a imaginação a querer fugir pelo buraco do bolso furado e uma vontade enorme de escrever algo intangível. Fazer da poesia distorcida o alívio da trovoada que tenho dentro da cabeça e quem sabe conseguir escrever um livro comido pelo bolor.
Vou pintar cenários com asfalto, usando as cores das sete colinas da imaginação e desejar fantasias filosóficas com as palavras a esvoaçarem pelas portas secretas do abstrato.
Esta história é sobre moralidade e começou num dialeto das alminhas, ao som dos passos lentos do mafarrico.
“Não foi um sonho porque, dormiu acordado, pronto para enfrentar o mundo do mal e cumprir o prometido: casar com a sua princesa, mesmo contra a vontade dos anjos das trevas. Ao som dos espíritos enfurecidos, entraram de mãos feridas, estavam adormecidas, sentiram o fogueado na pele e as labaredas a atormentar os egos, mas nado os demoveu. Olhares esbugalhados, ele com goma no cabelo, de fato cinzento sobre uma camisa branca de seda, um laço vermelho a condizer com a rosa ao peito. Ela com o vestido de noiva, rendado, em branco puro, um laço a prender o cabelo loiro, com os lábios na cor do glamour. Vestidos a preceito para o enlace, nesta floresta amaldiçoada, com o chão coberto de pedras ardentes, que queimam os pés descalços. As folhas rastejam submissas ao vento, as nuvens poeirentas soltando cinzas no ar, tudo num ambiente adverso e agreste. Para eles tudo eram janelas escancaradas para a felicidade, até as aves de rapina depenadas à espera dos ossos, nada os impediu de continuar pelos caminhos sombrios, confiantes que os sonhos continuarão e os prazeres provocarão arrepios à flor da pele. Os rodopios dos maléficos do mal, agigantam-se em redor, são tornados giratórios de tormentas dos deuses do ódio. Sem nunca caírem no lago dos desamores, corajosos, firmes na sua luta de que tudo por muito que seja hostil nunca vencerá o amor, continuam decididos e unidos pelos esqueletos das almas. Sentem os rostos a derreterem, as crateras nos corpos abrirem feridas profundas, a escorrerem o plasma, provocadas pelas labaredas do inferno que os imola. Num impulso de amor, fecham os olhos, colam os lábios e dão um profundo beijo intensamente apaixonado. O céu transforma-se num altar celeste, os ventos dissipam-se, as tempestades morrem com inveja e Lúcifer suicida-se”.
Nada consegue vencer o amor, porque quem ama é mais forte e eles estão a amar perdidamente.  

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