Cartas íntimas...

Cartas íntimas...

Há coisas que para mim são verdadeiros tesouros, que guardo religiosamente como se fossem parte de mim, de nós, da nossa intensa e obscena cumplicidade.
Tenho todas, guardadas no escritório, perfumadas por rosas-vermelhas, na jarra e que todos os dias rego para manter vivo o vermelho.
Estão por datas, como se fossem capítulos de vida e separadas por meses, bem protegidas com uma fita vermelha e com a tua caligrafia ainda intacta.
Quando estou carente, desato o laço e à sorte, como se estivesse a escolher uma carta num baralho de cartas mágicas, refastelado no cadeirão, leio uma a meia luz.
Tão bom recordar as memórias da vida a dois, escritas por ti como se fossem contos prosaicos com asas e que ainda fazem estremecer o meu corpo como um castelo de gelatina.
As tuas palavras, fazem ecoar os gemidos de palavrões, parece que ainda escuto as tuas súplicas de mais, não pares, não pares.
Está tudo aqui, parágrafo a parágrafo, as nossas escapadinhas de amor descritas como se fossem um filme de paixão erótica. 
As palavras essas são tuas e amo vaguear frase a frase…
“És um doido, os teus olhos têm sempre tendência para o decote profundo, adoras furtar-me o sutiã, com cuidado de protetor, numa miríade de gestos suaves das tuas mãos que são verdadeiros beijos para o corpo. Adoras pincelar aleatoriamente a epiderme com carimbos salivados, de deixar na minha pele, o sabor do café impregnado nos teus lábios e os olhares que só tem a linguagem, do desejo e do prazer. E quando soltas a língua, essa víbora que serpenteia todos os recantos da minha sexualidade, sem pudores, até fazer efervescer o tesão incandescente e que me desfalece o corpo em orgasmos. Deles, fazemos a nossa lagoa azul, onde mergulhamos nos sonhos, enquanto as tuas estocadas impetuosas levam-me à loucura das loucuras. Oh, como é bom ver os reflexos no espelho, com eles ecoam os audíveis gemidos da alucinação da nossa vitalidade. Adoro ouvir os teus sussurros, quando me chamas piranha, sabes que sou faminta pela carne na adoração dos sexos e escutar a ira dos deuses, com a transcrição das nossas crenças pornográficas. Tens o toque de Midas, quando fazes dos meus seios o teu promontório vulcânico e neles abusas com múltiplas carícias astutas, até me deixares sufocada. Ainda fico corada, sem jeito, com a tua forma impetuosa e arrebatadora de amar e não há um dia que não vá para casa com os teus vestígios de sémen em mim…”.
A ler excertos das tuas cartas, deixam-me sempre em êxtase, sem folego, com a respiração ofegante, o membro apertado nas calças e o coração palpitante para estar novamente contigo.
Teremos muitos mais momentos efusivos, muitas noites mal dormidas, de tão cansados, exaustos e fazer do nosso amor um livro verdadeiro de muitas cartas íntimas.
E tu tens cartas íntimas de amor?

Respeita os direitos de autor
Melodias do sonho...
09 de February, 2025
Namorar na fantasia…
19 de October, 2018
Abraços escondidos…
09 de August, 2020