Caminhar no outono...

Caminhar no outono...

Precisava de deixar pegadas das palavras que nascem da alma e seguir o caminho com as portas do pensamento abertas.
O sol espreita na esquina, escuto ao longe as gargalhadas de hienas e aprecio as folhas douradas que esvoaçam em redor que parecem carros voadores.
Nem tudo é um paraíso colorido num mundo onde cada vez mais a burrice anda de mão dada com a estupidez. Os ponteiros parecem andar para trás, pelo que ligo as sirenes para avisar a humanidade de novos perigos.
Sei que, para prever o futuro é preciso estudar o passado, mas será que os humanos estão a estudar?
Talvez esteja nuns bate-bocas sem sentido com o íntimo que por vezes gosta de crucificar a alma e libertar os demónios do passado.
Caminho de pedra em pedra, a esventrar a floresta, como se fosse uma escada rolante, onde as sensações dos arrepios do íntimo esculpem emoções a cada arrastar dos pés.
Com a voz melodiosa, falo com a mãe natureza, confidencio-lhe que amo escrever tributos à mulher, como se tivesse o dom de um encantador de serpentes.
Não procuro momentos de fama, hoje são balofos e rapidamente se esfumam como o vento do nada.
Esta floresta parece uma caverna perfumada. Inalo os seus eflúvios, despertam a pulsação do desejo e anestesiam os lábios, na vontade de roubar o teu coração.
Este olimpo, incentiva a procura da paixão sem licença para amar, quem sabe se temos os destinos cruzados e até podermos ser amantes clandestinos.
Será que ninguém me ouve?
Talvez não tenha milhares de pessoas a seguirem os meus passos, mas as palavras que nascem na alma já aprenderam a viajar pelo mundo e cada ser feminino que encontra faz-lhes carícias de felicidade.
Sem insónias da saudade, nem lágrimas da madrugada, apenas as cicatrizes invisíveis e o fogo debaixo da pele seguem esta solidão acompanhada.
Há caminhos que atravessamos com os pés, e outros que só a alma sabe percorrer neste caminhar no outono.
 

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