Desejos clandestinos...
02 de November, 2026
És uma miúda tímida, mas, no fundo, a alma respira romantismo e o corpo transpira malícia.
Tens segredos escondidos, escondes falsas verdades e tentações saudáveis que germinam no laboratório dos desejos.
Sem o zumbir das moscas, na poltrona dos prazeres, a meia-luz do candeeiro, com o rodopio musical nas colunas de som e de roupa íntima vermelha ficas a remoer juízos. A cor reflete o foguear que vagueia nas veias e que cria rubores na pele.
O teu corpo é manteiga a derreter, parece que estás numa travessia do deserto dos amores quentes e começas a pestanejar tiques perigosos de sagacidades recônditas.
Com o pavio da alma iluminado pela lua silenciosa, sentes os ecos das palavras do Criador de desejos a penetrarem nos ossos. São atrevidas, parecem um comboio que percorre o íntimo e ligam o interruptor dos impulsos do coração.
Não queres reviver histórias perdidas, mas fabricar novos enredos de amor neste altar da meditação sem controlo dos afetos e nadar no mar de sorrisos no rosto.
Deixas a janela aberta na ânsia do Criador de desejos poder entrar a galope no cavalo voador e numa surdina triunfal, beijar cada pedaço do corpo.
Com a corpulência a brotar perfume, os poros a serem pequenos vulcões excitados, soltas espasmos e utopias eróticas.
Fechas os olhos, sentes a língua dançante a esfregar o corpo, mas tudo não passa de uma ilusão ansiada. Com a máquina dos sonhos ligada, ficas a imaginar o volume das calças a aumentar, provocado pela ebulição da espada do poeta safado.
As sensações corporais são incontroláveis, são vontades incondicionais próprias das carências afetivas, são fantasias descontroladas, como se fosses dominada pelo ópio da libertinagem. E, neste frenesim do carrossel de adultos com as hormonas do prazer saltitantes, numa dança de fogo, acendes loucuras da paixão, exploras, no subconsciente a explosão de sentimentos.
Com a alma a baloiçar no baloiço dos mistérios, deixas o corpo percorrer as palavras do poeta, como se fossem quimeras para seres amada e seres abraçada pelos desejos clandestinos.
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