Novos dias...

Novos dias...

Sem ilusões perdidas, nem fumo nos pensamentos, muito menos com ansiedade despropositada e de olhos bem arregalados, ambiciono sentir novos episódios de amor.
Em busca de um lugar “sagrado”, de algo que traga emoções à alma e sentir-me novamente romântico. Vejo-me aqui sentado a escutar o destino, embora tenha a consciência que ele não tem hora marcada.
Admiro tudo em redor, as luzernas incandescentes, o bailado alucinante das nuvens, o brilho alaranjado no horizonte e o rio a espelhar o que sobra do passadiço desmoronado. Toda a envolvência é uma hipnótica maravilha da natureza, faltam apenas os trovões das tempestades de África, para me sentir verdadeiramente crente nas mudanças.
Vim de trotinete, de t-shirt branca de manga curta, uma forma de dizer adeus ao verão, embora com os efeitos estufa o clima anda pior que os malucos a precisarem de ser internados. Sinto os músculos rígidos, um formigueiro nos pés, sei que é ilusão, mas consigo captar risadas de hienas nos pensamentos maléficos. Tem momentos que tenho a sensação de que já viajei no féretro, mas a verdade é que estou bem vivo e não tenho odores de defunto.
Mesmo sendo um sortudo, abençoado por Deus, sei que a vida por vezes é cruel, é como um jogo de xadrez em que o bispo é comido pelo cavalo ou a dama por um peão.
Quem me vê aqui sentado, sozinho, de boné, como se fosse uma estátua humana com vida, deve pensar: o que faz aquele tipo ali, com o rabo nas pedras frias e a humidade a entrar-lhe nos ossos?
Não dou conversa aos pensamentos dos outros sobre mim, prefiro confidenciar com o vento, pois ele entende a minha sinceridade.
Vim porque ainda tenho um corpinho para ser explorado por uma deusa mulher, ainda trago como sinal, o beijo tatuado no pescoço e quem sabe se lançar a linha ao rio, alguma morda o anzol, pois sinto falta de sentir a tua falta.
Sou confiante, pelo sim pelo não, vou meter mais munições no carregador da imaginação, em busca do beijo da serpente e ser contaminado pelo seu veneno.   
Sou como um vidro de cristal frágil, o frio está realmente a dar-me arrepios na pele, mas sou persistente em inalar o mundo neste período de estágio da arte de amar.
Dizem que a mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original, a ser verdade a minha mente abre-se amiudadamente a novos dias.
E a tua mente também é aberta?
 
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