Devoradora de desejos...

Devoradora de desejos...

O tempo para ti nunca teve ponteiros, sempre viveste numa bomba relógio, onde as velocidades nunca tiveram limites, porque a tua energia cinética não se quantifica.
O teu corpo está imune a tudo desde que sofreste na pele o acidente nuclear na tua cidade, Chernobyl. Tudo isso fez de ti uma mulher imprevisível, uma hipertimia maníaca em tudo o que são emoções, em tudo que são sensações neurónicas e hiperbolizas todas as tuas adrenalinas.
Nas noites escuras, fico a observar-te no céu juntamente com as outras estrelas, mas o teu brilho é diferente porque viajas de forma estonteante e desenhas com os rastros, rabiscos cintilantes que ilumina este planeta. Nos momentos de solidão e carências, inalo ao longe o teu perfume feito de veneno de cascavel que incendeia o meu corpo e rasgo as liturgias com punhetas em verdadeiras heresias aos deuses.
Hoje, a tua sombra é um clarão que explode numa enorme bola de fogo e que com estouros supremos irrompe o meu quarto nos rastejos de cobras carregadas de bafos venenosos.
O teu desejo animalesco não está interessado na minha alma sensível ou romântica, apenas deseja profanar a malícia do ego erótico, das luxúrias incontroláveis.
Ardes na delicadeza da tua nudez, suplicas imoralidades, com uma sanidade vagabunda e vociferas gritos da mente insaciável.
Perdido nas tuas labaredas, na intimidade escorregadia, o meu corpo entra em satisfações infinitas, nos arrepios em cada elo da espinha alimentado ferozmente pelos impulsos de tesão.
Vendada, engoles em seco e mastigas palavras de incentivos carnais, canto ordens de escárnio e a sofreguidão das línguas devoram os lábios com vulcões de beijos.
Encarnas numa lambedora de ereções, abocanhas o membro em loucuras que rasgam a pele, até a tua boca insana engolir as erupções espermáticas.
A minha alma sai do corpo na forma de um brontossauro, com gritos cheios de vida e penetra incessantemente a tua brecha húmida desobstruída. Dos poros saem suores em chamas de desvarios e as penetrações profundas e intensas na tua fenda, batalham freneticamente contra os teus virtuosos gemidos.
Os ecos das excitações são brutais e os orgasmos encharcados são libertados com estrondo contra as paredes.
As serpentes enrolam-se nos nossos corpos, sem misericórdia do inimigo, tornam o paraíso num inferno e cospem mais venenos conspurcados. Exiges ecografias anais sem piedade e enquanto soltas urros de glória triunfal ecoados até ao pantanal és invadida no íntimo mais profundo pelo sémen alucinado. 
Como uma assassina viciada em matar, não ficas a remoer nos pecados, mas vibrante e extasiada devoradora de desejos.

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