Submissa aos prazeres…

Submissa aos prazeres…

Acordei vivo, com vontade de despertar fantasias secretas, avivar vícios adormecidos e descodificar o teu íntimo, que esconde quimeras de subjugação.
Mandei-te um bilhete de cinema, no verso escrevi: quando a mente se abre à imaginação, jamais voltarás a ser a original. O filme? 50 Sombras de Grey.
Acedes ao convite, surges de botas até ao joelho, meias pretas rendadas, um vestido justo preto, bem curto e um fecho do decote até baixo. A imaginação voa sem passaporte para a ilha da perversão e as hormonas masculinas entram numa ebulição de tesão.
A sessão é da meia-noite, com a sala praticamente vazia, sentados na última fila, com o filme a decorrer, as cenas intensamente eróticas sucedem-se. És consumida pela comichão do cio, cruzas e descruzas as pernas, percebo os sinais e escuto nos teus silêncios a maledicência a sussurrar ao diabo, libertinos pecados de submissão.
Tiras a cueca, com o cheiro forte da vagina húmida, passas pelos meus lábios e metes-ma no bolso e com um olhar de fazer corar Lúcifer, soletras-me ao ouvido: vamos quero sentir a alma e o corpo subjugados às tuas mãos.
Saímos, apressadamente, a fervilhar jubilações, impregnados de ardências, com os pensamentos impudicos escondidos.
Do cinema à suite, o mundo parou, mas durante a viagem enquanto conduzo, a boca quente e indecente faz miséria na devoção ao membro empolgado.
Esbaforidos, sedentes, com beijos sôfregos, com overdoses de carícias corporais, as tuas palavras roçam os sinos da excitação: Criador, faz de mim a tua serva submissa.
Não sou o teu dono, nem tu a minha escrava, somos um só encarnados no desejo, mas a tua voz incita e alimenta as labaredas da deleitação.
Vendo-te os olhos, coloco-te uma coleira ao pescoço, levo-te para a cama em estado caótico, passo os dedos na vulva escorregadia, dou-tos a chupar e lambo o sabor das exalações vaginais e anais. Com a tua visão noturna, apenas sentes e escutas os ecos das tapas estrondosas nas nádegas. Com o rubor avermelhado a sobressair na brancura da pele e as palmadas a resvalarem no silêncio das paredes, salivo o esfíncter e meto um brinquedo anal, enquanto és penetrada sem piedade, com a exuberância da fornicação.
Os candeeiros faíscam, as respirações ficam ansiosas, os pulmões ofegantes, libertam suores de luxúria burlesca e no nosso redor tocam os tambores das procissões em heresias. Impetuoso, às tuas obediências e exigências radicais, com posições escandalosas e desgovernadas, colocaste-te de quatro na poltrona, como se ela fosse a cadeira elétrica envolta em chamas.   
Com o corpo a transpirar blasfémias, envolvida na teia do aranhiço, com o rabo empinado, ordenas que use a ponta do cinto para chicotear o rabo. Ainda hesito, mas as tuas ordens são poesias alucinadas de concupiscência. Com o corpo à mercê, bato timidamente, mas insistes com palavrões, com resiliência e gritos de guerra a implorar. Bato com mais força, com os vermelhões em crescendo e sucumbes em orgasmos férteis, seguidos de urros de glória. Retiro o brinquedo anal, amarro o emaranhado dos cabelos, abres com ambas as mãos, as nádegas e espeto fundo o cacete no esfíncter aberto, fazendo dele o recetor de esguichos de sémen. Com as dilacerantes estocadas no ânus, o clitóris escoa poças de clímax e os gemidos ecoam como sermões depravados, cravando os espelhos com imundos odores a sexo.  
Possuída pela ternura animalesca, com o corpo devoto ao Criador, és batizada com a língua, como a deusa submissa aos prazeres.

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