Elegância da alma...

Elegância da alma...

Sempre gostei de fantasiar, de dar corda à imaginação, de abrir através da ilusão as cortinas do imaginário. Criar algo, um mundo novo, diferente, onde a simplicidade humana fosse inspirada na pureza e divindade feminina.
Acordei assim, nostálgico, como se a realidade fosse simplesmente um sonho e onde este menino pudesse vaguear nesse mundo encantado por ti, mulher.
Mesmo sendo uma quimera, sinto que não tenho as palavras suficientes para adjetivar o anjo divino que seria esta mulher, mas com certeza teria asas imaculadas e deixaria pegadas perfumadas espalhados pelo chão do comum dos mortais.
Não sei se tenho a clarividência dos pensamentos, para percecionar a transcendência da sua alma, mas de olhos fechados imagino-a, envolvida no silêncio como se ele fosse uma carícia para a minha tranquilidade de espírito. O cenário, talvez fosse numa floresta encantada e com a sua leveza a varrer as nuvens para abrir espaço para os raios de luz poderem brilhar.
Aqui fico nesta utopia romântica, como se tudo fosse verdade, até ter o dom de tocar-te, ou simplesmente pegar-te a mão e dizer-te tudo o que tenho entalado no íntimo.
Mulher, admiro-te, venero-te, amo-te!
Neste sonho acordado, mesmo sendo uma fantasia, quem sabe se me consegues ouvir?
Talvez por isso as palavras saem embargadas com a voz da comoção, são os reflexos que tentam abafar a minha timidez, mas nunca desisto de soltar os silêncios barulhentos que fumegam nas labaredas do ego.
Gosto de escrever como um pássaro livre sem fim, embrenhar-me nesta magia das cartas viciadas do amor e viajar sem limites até encontrar o verdadeiro templo das deusas.
Para mim, vives personificada no alto do altar da perfeição, nutro por ti sentimentos profundos, que me deixam um frio arrepiante e aconchegante nos ossos.
És o fogo que atiça o vulcão, o contágio da bondade humana e os sussurros do teu espírito, são como o vento que entram pelos tímpanos como dialetos de paixão, através da elegância da alma. 

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