Erotismo virtual...

Erotismo virtual...

Talvez seja um poeta safado, por vezes até ousado no fervilhar da malícia nos sentimentos e confesso que acabo por desejar a tua alma submissa. Quando queres, mesmo de forma não intencional, consegues ser o querubim dos meus tormentos e o diabinho dos meus íntimos prazeres. Possuis no âmago o aveludado do erotismo e até nos momentos de ambiguidade, crias excitação. Possuis o dom de cativar, tens os ingredientes da astúcia, a pitada da inocência necessária para loucas promessas de ternura.
Mesmo à distância, sigo as tuas pegadas de anjo, na ânsia de respirar o amor e absorto no espírito lascivo, coloco a maçã do pecado em frente ao espelho, na expectativa de ver nele os reflexos da adrenalina ardente a jubilar como se fôssemos o Adão e Eva.
Apago as luzes, apenas fico com uma luzinha ténue no pavio da vela, coloco a música do filme “50 sombras de Grey”, fecho os olhos e deixo fluir a fantasia.
Como um trovão de luminescência, surges encarnada na deusa Vénus, numa limpidez feminina e a emanar fragrâncias de luxúria e sensualidade.
Sinto-me um escravo a teus pés, apenas digno de idolatrar a tua beleza, mas com os pensamentos a viajarem numa espiral de emoções e com anseio de almejar os teus gemidos de felicidade.
Carregas um olhar sedutor, os reflexos das íris fermentam o foguear em lume brando do desejo carnal e as gesticulações sensuais do corpo transmitem mensagens que só um poeta sabe decifrar.
Há pequenos gestos que cativam, pormenores que atraem, coisas que arrepiam e há desejos que não se controlam e, sem despudores, suplico ao cupido que não demore porque já estou em modo explosivo.
Rasgamos as roupas, abraças-me fortemente e sem me deixar rogado, envolvo-me na divindade da tua nudez transparente.  
Absorvidos nos beijos, com os lábios colados como duas medusas, sussurramos profecias, num silêncio digno de dois apaixonados a mendigar ousadias.
Num ápice, zarpamos para o mundo em que os loucos guiam os cegos e começamos a espreitar o cheirinho das heresias do prazer.
Sinto o corpo arder, a boca a ficar seca, as tuas mãos que percorrem desenfreadamente a minha epiderme e descontroladamente iniciamos uma corrida de cavalos selvagens.
Não me faço de rogado na dedicação carinhosa aos teus seios, sinto o pulsar da excitação nos bicos, a respiração ofegante e os suores a serem libertados da pele melodiosa, pelos poros.
Dou corda aos dedos, deslizam sobre o teu ventre com a ambição de mergulhar nas profundezas. Conseguem, dedilham o clitóris, que liberta milhões de sensações vulcânicas, até deixar-te o corpo vibrante a ser consumido pelas chamas.
Sem estoicismos balofos, os corpos fundem-se num só, com cada centímetro dos sexos a invadirem-se profundamente numa dança apoteótica e com a cadência das batidas corporais a ecoarem como caixas de ressonância.
Com a energia nos limites, soltamos uivos impregnados dos odores dos orgasmos e, com o estrondo o espelho explode, transformando a maçã em milhares de corações.
Por momentos, ainda pensei que estava a sonhar, mas umas vezes até são sonhos, outros instantes são delírios, mas é com eles que escrevo poesias e, neste contigo, são puros desejos de erotismo virtual.

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