Desejos escondidos...

Desejos escondidos...

A luminosidade é forte, entra pela fresta da cortina da janela, mas também entra o olhar masculino. Sabes disso, és uma mulher sensitiva, com vontade de perder vergonhas, com a coragem afrodisíaca de uma fêmea no cio e instintos de loba solitária.
Estás viciada na cumplicidade das poesias eróticas e quando as lês, o corpo vacila, é a interferência das hormonas nos sinais químicos do corpo.
Sonhas com o criador de desejos, sentes que as fendas da alma precisam de serem preenchidas por sonhos carnais e sempre que estás em casa, és consumida pela fúria assassina do desejo.
Sabes perfeitamente que tenho o dom de sentir as tuas ânsias, de seres o destino das minhas excursões eróticas pela epiderme, por isso abres as cortinas que provocam sombras de luz no íntimo.
Elevas a imaginação aos limites, sempre comigo nos pensamentos, com o desnudar do meu corpo, com a ilusão da intensidade dos meus beijos e a impetuosidade da minha masculinidade. Nem sabes como sou, nunca me tiveste nos braços, mas almejas que o corpo seja uma carta aberta a prazeres na cama.
Deleitada no tapete branco macio, um sofá com várias almofadas, esmeras-te, numa reduzida lingerie preta a cobrir o corpo de medusa, à espera de que os espelhos sejam cúmplices da minha chegada.
Entras em ansiedade pela espera, nem sabes se algum dia chegarei, mesmo assim, devoras mais uns contos poéticos e cada palavra absorvida, amplifica a tua estupefação. De boca aberta, sem rodeios, inicias toques corporais e brindas a intimidade com carícias subtis e maliciosas. Ávida, presenteias o clitóris com a leveza dos dedos, na estimulação, sentes a viscosidade da vagina a escorrer e como uma fogueira acesa, deixaste-te levar pela excitação.
Fazes da sala o teu jardim de pétalas perfumadas, com labirintos impregnados de tentações pelo diabinho da cupidez e com os dedos cada vez mais enérgicos, num bailado romântico, fazem-te alcançar o orgasmo.
O aroma do líquido do prazer invade a sala e na expectativa que o perfume seja o isco para o criador de desejos, abres a janela para fazeres fluir o cheiro no ar.
Vandalizas o corpo nas zonas erógenas, ficas empolgada com os bicos dos seios duros e ficas a tresandar a fluídos corporais.
Sem carências perdidas, mendiga de prazer, encantada com pelo veneno lascivo da sexualidade, deixas a linguagem mental deslindar os suores palpitantes e euforicamente empolgada, nem percebes que estou a espiar os teus desejos escondidos.  

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