Imaginação escaldante...
18 de January, 2026
Tenho vontade de gritar em voz alta os pensamentos íntimos que me passam pela cabeça, enquanto almejas ouvir da minha boca os palavrões que te façam corar.
Entramos num jogo de xadrez com peças eróticas, onde levamos no bolso delírios escondidos, promessas por cumprir e os corpos quentes, impregnados pelas rebarbas das carências.
De braços abertos às seduções indecentes, caímos num encontro carregado de concupiscência na cama como se ela fosse o miradouro dos sonhos afrodisíacos e sem vergonhas hipnotizantes, com as respirações aceleradas, escancaramos as portas giratórias aos prazeres dos pecados.
Vestida com uma lingerie preta suicida, estás perigosamente atrevida, fazes o chão do quarto estremecer e subir a minha temperatura febril.
Já não temos palavras escondidas, nem amores clandestinos, apenas amamos reinventar desafios de anjos e despir a nudez mútua, enquanto escrevemos orgasmos com a caneta em ebulição.
Na ânsia de esculpir-te o corpo com as próprias mãos, abraço-te, mas és uma enguia escorregadia, um rodízio pronto a ser devorado em carícias como se fosses um fontanário de desejos.
Numa alucinação descarada, sem meias-palavras, suplicas a minha irreverência a mergulhar na intimidade e com o vulcão (corpo) em euforia, gritas por momentos selvagens.
Perdido nos recantos da tua beleza, perco-me em beijos arrepiantes no pescoço enquanto tens o pulsar do corpo desgovernadamente vibrante, pincelo a epiderme com a língua salivada e faço dela uma estrada de fogo.
As velas acesas, o espelho a embaciar, as paredes a ecoarem os gemidos, as luzes a piscarem com faíscas intensas, a música romântica no ar, tudo parece recriar uma plateia excitada a aplaudir. Nesta dança contagiante, com os sinos a replicarem na torre da igreja, embalamos os corpos suados para a liberdade dos sexos.
Travestida de domadora de feras, com a boca de anjo, lambes-me o gelado em brasa, até derreterem espermatozoides felizes a dançarem nos lábios. Com o juízo a fervilhar, crucificados na cama em aventuras sem lei, liberto a língua esfomeada para voos húmidos no clitóris e pedes para explorar as profundezas da vagina. Em intensas estocadas, o pénis esbaforido, engolido pelas secreções vaginais, soltamos o gatilho para ruídos expansivos de jovialidade. Possuída, tomas as rédeas dos momentos, viras para mim o traseiro apelativo a ejaculações precoces e com o rabo empinado pedes para arrombar o cofre apertado. É a cereja no topo do bolo, o expoente máximo da jubilação para o pénis enfurecido, que enlaçado pelo esfíncter desabrocha numa explosão de sémen.
Suado, aturdido, com o coração esfalfado e o sangue a galopar nas veias, acordo, vejo que o quarto é uma gaiola dourada com o teu perfume, mas tudo não passou de um sonho inspirador provocado pela imaginação escaldante.
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