(In)diferença humana…

(In)diferença humana…

Gosto de desafios, mas alguns são difíceis porque são às consciências humanas e infelizmente o ser humano é capaz do melhor, mas rapidamente desce ao nível deplorável. Para a minha sensibilidade, prefiro a inteligência dos macacos, não tem as vaidades bizarras dos novos-ricos da humanidade.
Gostava de ter o dom das palavras, mas quando se trata de assuntos que me comovem profundamente, acabo por enxaguar as lágrimas que caiem pelo rosto e inundam as teclas onde escrevo. Ando desiludido com a forma como a humanidade está a aceitar estes estapafúrdios poderosos, com ações heteróclitas que estão a matar-nos mais rapidamente do que era pensável. Hoje, as pessoas são como as árvores da floresta, que todos os dias são abatidas numa ânsia devoradora e acabaremos por ficar reduzidos a borralho numa lareira gigante. 
Espalham novos desígnios, com slogans de desinformação, com extremismos por meio de vozes vorazes e espalham o veneno para o terror ser a lei dominante.
Onde estão as pegadas do amor?
Agora levam-nos em viagens numa escada rolante, guiados por um trilho de cinzas e onde o presépio não é luminoso nem inocente.
Onde estão os braços abertos para receber as andorinhas?
Não encontro, não os sinto, muito menos vejo as andorinhas, foram escorraçadas pelos tambores da guerra, que nos preparam para sepultar os sonhos da mente e gelar os desejos do coração.
Onde estão as flechas do cúpido?
Estão a colidir estrondosamente contra as fronteiras desenhadas à lei da bomba, pelo som torturante do chicote, que castiga os sorrisos, transformando-os em amargas angústias e que trituram os âmagos, deixando-os acorrentados à tristeza depressiva.
Não tenho mãos de curandeiro, nem sou feiticeiro com a porção mágica da felicidade, mas sinto que vivemos numa panela de pressão, que um dia irá implodir.
Pobreza, fome, dor, miséria, penúria, brutalidade, frieza…
Não são estas palavras que deveríamos eliminar? Ou será que preferimos entrar na arena de gladiadores, onde o dinheiro, será as medalhas do ego?
Lamentavelmente, vejo muitas almas carentes na via pública, quem passa finge que não vê e não é capaz da compaixão de bafejar um simples sorriso de esperança.
Assobiamos para o lado, não somos exigentes com quem nos conta balelas, como se fossem os paladinos dos reportórios dos sonhos, mas que, no fundo, tem atrás das costas escondidas as seringas para as injeções letais.
Novos sinais do tempo, é o que se diz à boca cheia…
Mas pergunto, temos de ser submissos? Todos juntos não deveríamos ter a força suficiente para espalhar, o carinho, a partilha, a amizade, a esperança, o amor e sermos mais felizes?
Até os beijos estão em silêncio, são os lábios a congelarem, as borboletas, essas voam esmorecidas, a lua cheia, ilumina apenas alguns e os sorrisos contagiantes estão doentes.
Desculpem tantos desabafos, as centenas de palavras e o tamanho dos parágrafos, mais até que o habitual, mas as lágrimas ainda não pararam de cair pelo rosto…
E, não consigo aceitar esta (in)diferença humana…

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