Puzzle de emoções...
27 de Fevereiro, 2025
Não são sismos provocados pelas placas tectónicas, também, não são os sinos a replicar na torre da igreja, são os sinais vitais do coração que estão a bater vigorosamente.
Parece que fui mordido por um bicho anestesiante, por momentos acho que até perdi a identidade e fico enredado numa teia, onde o aranhiço provoca sensações inexplicáveis.
Neste nervosismo desnecessário, deito-me para receber o choque psicológico do divã.
Deixo o silêncio sussurrar aos reflexos incondicionais do corpo e tento decifrar com a razão cada um deles.
Mais tranquilo, na cegueira da solidão, vejo-te semidespida, perceciono que és um verdadeiro tesouro por descobrir, onde os labirintos da magnitude da tua essência são infinitos e imaculados.
Na imaginação descrevo indecências, mas é a alma que fica refém da paixão, embora a intensidade do corpo, almeje apagar-te o fogo sem falsas promessas e com afetuosas atitudes.
Relaxado no divã, contigo nos pensamentos, com o desejo de redesenhar as fronteiras do amor, levanto o dedo indicador no ar como se ele fosse um lápis mágico e ilustro no escuro um abstrato coração.
Do nada a escuridão esbarra num brilho intenso dourado, o teto do quarto ilumina-se por uma cratera de peças soltas, são azuis, dum coração em lava ardente e surges como uma pauta divina em branco, pronta para orquestrar milhões de poemas.
Sempre ouvi dizer que o segredo não é correr atrás das borboletas, é regar com carinho e respeito o jardim e elas virão até nós.
Os silêncios esbarram na doçura dos teus lábios, onde os beijos trocam entre si as conversas cúmplices das línguas salivadas. Por instantes, os tremores escondidos, revelam-se pelos calafrios da comoção e rendem-se à atração física.
Sinto cócegas no estômago, arrepios que percorrem a epiderme como se fossem centopeias de mil pernas e com o coração a rufar, as chamas consomem a carne, enquanto a alma respira o oxigénio perfumado por ti.
Nesta osmose, como se estivéssemos a procriar no ninho dos sonhos, as bocas ficam secas, e apenas os olhos transmitem a excitação pelo brilho das íris. Abraçados pela felicidade, semeamos as peças do coração para florescer a idolatria e continuarmos a construir o puzzle de emoções.
Respeita os direitos de autor.
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