Corredor do tempo...
19 de February, 2026
Inocência no olhar, timidez estampada na face pela rigidez da educação de outrora, onde não se podia rodopiar a cabeça e olhar para trás durante uma homilia. Coisas de outros tempos, onde um puxão de orelhas nos deixava sem fôlego e com ar de putos bem comportados à força.
Os tempos mudaram, já passaram muitos anos, mas estou convicto que as novas gerações, bem mais talentosas, tem um défice de educação.
Sou zeloso de uma sociedade com regras, com ética e respeito, embora assuma que não sigo religiosamente os 10 mandamentos da tábua do profeta Moisés.
Já vivi muitas loucuras do avesso, soletrei sinónimos dos palavrões mais absurdos, levei noites com rumos sem nexo e entrei em aventuras gladiadoras ao tourear leões.
Não sou homem de saudades, raramente acendo a luz das memórias, ainda lembro das andorinhas na primavera e quando leio os manuscritos antigos é que tenho noção da mudança dos pensamentos.
O amanhã não sei como será, dizem que devagar se vai ao longe, portanto agora tento juntar os pedaços de papel, fazer contas, somar com os números do prazer e arrancar pela raiz a felicidade escondida.
Também fui um burro teimoso, principalmente na idade da parvalheira, tempo em que tinha forças para soprar elefantes, mas agora apenas tenho a suavidade na ponta dos dedos e um coração do tamanho do mundo.
Vivi no baloiço pendurado nas estrelas, mergulhei no vácuo, dancei em redor de Marte e tinha o espírito guerreiro da minha nação valente imortal, que ainda preservo.
Muitos amigos se perderam, talvez não o fossem, mas quem não tem facadas nas costas?
Nunca fui pessoa de esmorecer, nem de espírito santo, vivo com a esperança comedida, sem tragédias de dor e quando estou em baixo, junto os cacos como se fossem “puzzles” para os construir novamente.
Dizem que os defeitos podem ser virtudes, talvez aponte a mim mesmo, o perfecionismo, por isso ainda hoje tenho o culto de me ver ao espelho. Nele posso ver as sequelas do tempo no rosto, o espelho nunca mente e com os seus silêncios barulhentos, ensinam-me a ser mais humano e solidário.
Vivemos tempos esquisitos, já quase ninguém faz pedidos ao céu, cada vez mais as pessoas, gritam babuzeiras no óraculo, com vozes estouvadas de ódios.
Passo a passo, nas pedaladas do destino, trago na algibeira o bilhete da vida, penso muitas vezes em viajar para os destinos mais recônditos em busca do amor eterno e soprar os ponteiros do relógio neste corredor do tempo.
Respeita os direitos de autor
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