Desvanecer a timidez....

Desvanecer a timidez....

Ainda recordo a luz do teu sorriso a entrar no meu âmago, foi como uma erupção de luminosidade no interior do meu corpo. Por momentos, fiquei com formigueiros na alma, com vontade de ver a boquinha doce com o sorriso abrigar afetos.
Os olhares, transmitiram benquerença, melodias que falaram sussurros aos ouvidos, trocamos elogios de simpatia e cordialidade, acabamos por entregar a alma e pagar com satisfação os prazeres do corpo.
Surgiste tímida, talvez desconfianças ou receios de outrora, com o ego algemado e com receio de sentires o calor pulsante das minhas mãos.
A simbiose das palavras foi a chave para abrirmos a porta à cumplicidade dos desejos escondidos no recôndito das nossas carências.
Hoje apenas olhamos para trás e sentimos que foi o início, o rastilho da admiração mútua, que despertou as hormonas e que nos levou a perdermos a bússola da razão.
Sabemos que as palavras não foram inócuas, foram elas que nos espevitaram de corpo e alma e levou-nos em viagem à cidade Luz, Paris.
A tua elegância refinada, corpo num vestido branco, faz de ti uma mulher imaculada aos olhos do poeta, um diamante lapidado, a deusa Afrodite.
Com a suíte escolhida a preceito, com velas acesas com aroma a maça, entramos com promessas de beijos e num fervoroso abraço apertado, ficamos minutos a sentir o bater dos corações. Confesso que senti calor, uma chama interior, mas também senti o tremelicar do teu corpo abençoado. Com a varanda iluminada, com a Torre Eiffel como pano de fundo, trocamos sorrisos escaldantes e brindamos enquanto admiramos os sonhos pendurados nas asas das nuvens.
Sem máscaras da desconfiança, sorrimos, bebemos o champanhe até deixarmos sucumbir a timidez e acabamos por entrelaçar as mãos no corpo um do outro.
Ousado, dispo-te o vestido, não te fazes de rogada e desabotoas toda a minha roupa, até ficarmos apenas com roupas íntimas.
Os lábios…
Os lábios atraem-se, com as línguas aguerridas numa luta de afetos e entramos numa osmose perfeita da promiscuidade das salivas.
Foi o trampolim para definitivamente escancararmos as mentes eróticas e queimarmos o livro dos tabus nos lençóis.
Publico ousadias poéticas nos teus seios, escritas pela saliva na ponta da língua e as mãos a deslizarem suavemente pelas epidermes, como se fosse nas teclas dum piano, provocam uma explosão de delírios.
Beijo-te o umbigo, arrepias, contorces o corpo como sinais de excitação e soltas os primeiros gemidos…
Com preliminares eróticos intensos, nas recônditas partes íntimas, deixamos os sexos se explorarem mutuamente ao som da sinfonia dos orgasmos e como testemunha surgiram os odores intensos das erupções dos poros e os ruidosos gemidos, transformados em canções de veneração.
Cansados, encostamos reciprocamente a cabeça, deixamos os corpos nus a desvendarem entre si segredos que depois quereremos escutar e consumar, até granjearmos definitivamente o desvanecer da timidez.

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